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Olá a todos, me chamem de Sam, sou jornalista, cronista, roteirista e ator. Não faço tudo ao mesmo tempo, nem sei se consigo ser tudo isso, mas é o que eu tenho feito na minha vida. Uns mais, outros menos, sempre tentando, inventando, me descobrindo. Sou gay, mas não pensem que foi fácil admitir isso. Passei um longo período fugindo e negando convictamente o que meus hormônios gritavam de prazer. Vivi como um hétero até o meu limite máximo, carregando na minha fantasia, todos que cruzassem meu caminho. Criei ilusões, alimentei expectativas, destruí corações. Ser gay nunca foi fácil, mesmo, e, principalmente, não querendo ser.

Mas a natureza sempre encontra sua maneira de se manifestar. E quando ela foi mais forte, cedi aos meus impulsos. Também não foi fácil. Viver uma vida toda negando uma personalidade e de repente ter que aceitá-la foi mais torturante do que pensei. Tive recaídas. Sim, recaídas psicológicas. Estava caminhando pela estrada errada. Não era aquele o caminho que minha família havia me ensinado. Eu precisava voltar ao eixo, ao que era certo. E por aí se seguiram muitas crises.

No entanto, para conseguir explicá-las melhor é preciso descrever minha terceira característica. Sou hipocondríaco. Desde pequeno tenho pânico de doença. E graças às forças do Altíssimo, até hoje além das gripes, dos resfriados e da persistente rinite, o máximo que tive foi uma catapora. Mas no meu psicológico já tive de tudo. Meu plano de saúde é mais usado que cartão de crédito. E o que seria pior para um hipocondríaco encontrar numa relação? DST.

Sexo para mim sempre foi um grande problema. Primeiro no papel de gay que finge ser hétero, sexo nunca teria sentido e lógica alguma, já que nunca uma mulher conseguiu me excitar. Depois, como iniciante no incógnito universo gay, desconhecia completamente a origem dos parceiros, e o mais simples contato, a meu ver, poderia me trazer uma grande complicação. Logo, sexo virou um problema, um problemão.

Mas ele veio. E com ele mais grilos e paranoias. Uma depressão e alguns comprimidos. Héteros, gays, sexo, família, hipocondria, DST… Tudo junto numa só cabeça não poderia dar um bom resultado. Foi uma fase complicada, difícil. Mas tive apoio e compreensão. Ao fim, serviu para eu aceitar definitivamente quem eu sou, ou ao menos, mostrar o rosto no “Man Hunt”. Compreendi que a homossexualidade não era aquele monstro que eu havia transformado em todos aqueles anos. Era simplesmente uma parte de mim, que por motivo nenhum, era semelhante a uma anomalia.

Foi um momento de grande contentamento conseguir respirar aquela realidade que por anos achei que seria um segredo eterno. Se por um longo tempo desejei ser hétero, já não troco minha homossexualidade por nada. Ela é parte do que fui, do que tenho sido e do que serei. No momento em que me aceitei como sou, eu nasci novamente.

E agora estou aqui, tentando passar adiante um pouco do meu mundo gay. Sei que a homossexualidade ainda tem um longo caminho a percorrer na sociedade, mas espero que esse espaço sirva o seu propósito nessa caminhada. Que possa, quem sabe, ajudar outros garotos como eu por aí. Esclarecer alguns pais, fazer rir, discordar, auxiliar, xingar, bagunçar um pouco nossa realidade.

2 Comentários »

  1. Flavio Guimaraes Morales disse:

    A verdadeira compreensão vem após o sofrimento geralmente por quem ja tem passado algo similar ou presenciado, gostei de ler suas palavras… Li o Diario de Bordo, e por sua vez eu repito foi bom lê, talvez a unica coisa que uma pessoa possa ter, tanto sendo hetero ou gay é poder ser amada, compreendida e assim uma voz no silencio traça norte e fazemos a felicidade afinal isso é particular hehehe… me senti assim ao termino da leitura, parabens, boa sorte. Ps:Flavin

  2. Margot disse:

    Oi Sam. Acabei de ler seu depoimento. Um dos mais bonitos e sinceros que li até hoje. Força rapaz. A vida pode e deve ser feliz, apesar dos percalços que o ser humano passa.
    Abraços

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