Você pode sofrer de homofobia internalizada!

Felizmente temos testemunhado, nos últimos anos, progressos que desembocam em conquistas legais para os indivíduos com orientação homoafetiva. Já são diversas as leis que consagram direitos para a os parceiros do mesmo sexo e garantem a defesa contra a discriminação e a violência por orientação sexual. Obviamente, muito falta a ser conquistado, principalmente no campo do preconceito e do respeito as diferenças no campo da sociedade.

Contudo, não podemos deixar de registrar que existe um processo psicológico que provoca o fenômeno da homofobia internalizada. Não podemos esquecer que o gay (incluindo todas as suas formas e diversidades) foi criado e cresceu no seio de uma sociedade heteronormativa, ou seja, todas as manifestações de intolerância, preconceito, discriminação e falta de respeito com relação às homossexualidades foram testemunhadas por aquele desde a mais tenra idade. Os pais, primeiros objetos de amor, tendem a rejeitar a ideia de ter um filho gay. Os filhos são pensados e idealizados antes do nascimento, portanto, existem antes de nascer. Um projeto de vida, com toda a carga das expectativas, já os aguarda.

Uma sociedade heterocêntrica, marcada pela intolerância e forte tendência de tratar as homossexualidades com um desvio de conduta e uma anormalidade, costuma deixar marcas que ficam impregnadas no individuo. Estas marcas compõem o campo inconsciente da homofobia internalizada. Desta forma, as pessoas com orientação homoafetiva, em geral, se tornam adultos com esta inscrição, que justifica aquelas sensações de menos valia, de autopreconceito, de autorecriminação, de discriminação com relação a outros gays, de baixa autoestima e de desconforto e incompreensão com os seus próprios desejos.

Devemos lembrar que, por mais estranho, ter uma orientação homoafetiva significa mais do que ter relações sexuais com alguém do mesmo sexo. Orientar-se homoafetivamente está para além das praticas sexuais com um igual. Esta num patamar onde o individuo consegue viver sua orientação sexual sem culpas, sem medos e com a certeza de que não faz parte de um grupo que tem menor valor. Significa ter a convicção de que tem o direito de amar e ser amado conforme seu desejo, e que este não é uma abominação.

George Gouvea
Psicanalista
www.georgegouvea.com.br

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